
Serra está prometendo ampliar o Bolsa Família; e Dilma disse que não se pode confiar apenas em promessa
Jundiaí (SP) O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, garantiu, ontem, que pretende aumentar o universo de famílias atendidas pelo Bolsa Família e também aumentar o valor do benefício, de forma gradativa.
Dentro do PSDB, a análise é de que o teto do benefício a ser pago poderia alcançar R$ 255. Hoje, o governo federal paga entre R$ 22,00 e R$ 200,00 a cada família cadastrada no programa. "Temos de incluir mais 15 milhões de famílias que estão abaixo da linha da pobreza, além de aumentar o valor. Basta um bom sistema de cadastramento e de distribuição", disse ele em entrevista após caminhada no centro de Jundiaí (SP), ao lado do candidato do PSDB a governador, Geraldo Alckmin.
Com discurso voltado à camada de eleitores mais carentes, Serra também defendeu a ampliação do sistema de saneamento básico. Depois de propôr ao governo Lula a retirada de impostos como PIS e Cofins dessa área, o que, segundo ele, desoneraria o setor em R$ 2 milhões ao ano, Serra decidiu abrir fogo diretamente contra o PT.
A artilharia começou ao comentar declaração de Dilma, de que havia assinado sem ler as propostas de governo entregues ao TSE. Nesse momento, Serra ironizou a candidata e disse que temas polêmicos têm o carimbo do partido adversário. "As questões polêmicas são autenticamente ideias do PT, inclusive aprovadas no congresso do partido. A própria Dilma as assinou quando era ministra", disse ele, partindo para ataques em relação ao aparelhamento da máquina federal. "O aparelhamento significa loteamento entre os partidos. Não é segundo a capacidade ou a experiência, mas por causa da posição política. É usar a coisa pública com fins privados. Não vou dizer que o PT inventou (o aparelhamento), mas reforçou muito", disse.
Procurando adotar diplomacia política, Serra evitou comentários sobre a estratégia da candidata do PV, Marina Silva, que pretende criar microcomitês pelo País. "Não comento estratégia de quem concorre comigo, fico até constrangido", disse ele.
Dilma contra-ataca
Em discurso fechado à imprensa no centro comunitário da favela Heliópolis, Dilma Rousseff (PT) afirmou que alagamentos e enchentes ocorreram no País porque outros governos não tem o menor compromisso com a população carente, que a ex-prefeita Marta Suplicy (PT-SP) não foi perdoada pelos ricos por investir nos mais pobres, e que não se pode acreditar na promessa de seu adversário José Serra de duplicar o Bolsa Família. Em outro momento, sugeriu que a palavra "subsídio" aos pobres era considerado um crime por governantes antes de Lula.
A respeito da promessa de Serra, a petista afirmou que não se pode confiar apenas em promessas e disse que o tucano reduziu o investimento social enquanto foi governador de São Paulo. "Em época de eleição, alguns, principalmente nossos adversários, dizem: tenho um compromisso, vou dobrar o Bolsa Família. Mas como, se aqui em São Paulo o que aconteceu foi uma redução dos gastos sociais? Como vamos acreditar?", disse Dilma, que mais tarde emendou: "Eu me pergunto: com que autoridade alguém que acabou de sair do Bolsa Família vai dobrar o Bolsa Família, se não deram o Bolsa Família?", questionou.
De acordo com Dilma, existem 340 mil pessoas que poderiam se cadastrar para receber o Bolsa Família em São Paulo. Ela argumenta que só se pode acreditar em promessas quando se sabe que a pessoa "realizou alguma coisa". "Tem muita gente que não quer mudança", disse. "Os ricos jamais perdoaram a Marta. Mas não tinha solução. Ou ela atendia a população que mais precisava ou ela gastava onde já tinha muitas obras".
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